SÃO PAULO ENTRE QUATRO PAREDES: MASP
Melhor aproveitado por crianças a partir de 6 anos de idade
Av. Paulista, 1.578, Bela Vista. Tel. (11) 251-5644, www.masp.art.br. Horário: ter-dom 11h-18h. 0 (zona azul ao redor do museu, estacionamentos pagos na av. Paulista e convênio c/ Garagem Trianon: al. Santos, 1.465, ou al. Jaú, 850). c (exceto menores de 10 anos e maiores de 60). Visitas guiadas: (agendar). Tem restaurante.
O primeiro conselho é este: traga a criança várias vezes, para ver um pouco do museu a cada visita. Assim, ela não ficará cansada, nem física, nem mentalmente.
Para crianças menores, o melhor é fazer como o Cãozinho Bóris. Toda vez que visita um museu, o Bóris procura quadros com cachorros: ao vê-los, ele se identifica com eles, como se olhasse para um espelho. No Masp há vários quadros de crianças -que existiram de verdade!
Dos meninos, o mais famoso é O Escolar, pintado pelo holandês Van Gogh. Vê-se que o garoto vinha de família modesta -era filho do carteiro Roulin, único amigo fiel de Van Gogh. Das meninas, as mais badaladas são a loirinha e a moreninha do quadro Rosa e Azul, pintado por Renoir. Estas eram de família rica: basta ver as cortinas luxuosas ao fundo.
Luxo mesmo, em exagero, está nas roupas dos nobres franceses do século 18, mostradas no quadro O Duque de Berry e o Conde de Provença quando Crianças, de Drouais. Uma curiosidade: o Duque de Berry se tornou o rei Luís XVI, morto na Revolução Francesa. O retrato do menino Auguste Godefroy, pintado quase na mesma época por Chardin, ostenta bem menos a riqueza de sua família.
A obra Os Filhos de Edward Holne Cruttenden, de Reynolds, conta uma história triste: acompanhadas da babá indiana, três crianças da alta sociedade inglesa do século 18 oferecem flores em memória dos pais, que foram mortos na Índia.
O quadro Retirantes, do brasileiro Cândido Portinari, retrata uma imagem ainda mais triste: uma família com seis crianças famintas, fugindo da seca.
Ainda é legal ver o quadro Madona com Meninos, de Il Francia, que mostra que Jesus tinha irmão!
Para crianças a partir de 8 ou 9 anos, uma seqüência de visitas ao Masp equivale a um curso de história da arte ocidental. Um bom ponto de partida é a pintura Virgem e Menino, do italiano Bernardo Daddi, de 1340. Seu estilo gótico caracteriza-se pela luz -note o fundo da pintura, dourado. Repare como a imagem é chapada: não se sabe o que vem na frente e o que está atrás. Para perceber a transição do gótico para o estilo renascentista, veja o outro quadro Virgem e Menino, do também italiano Giovanni Bellini. Aqui você nota as pessoas mais à frente e a paisagem em segundo plano: é a "perspectiva". No renascimento, a razão retomou força, contrapondo-se ao misticismo da Idade Média. Embora retratem a mesma imagem religiosa, os dois quadros são muito diferentes: o primeiro traz Deus como centro do universo; o segundo, o homem.
Um dos mestres da perspectiva foi o pintor italiano Rafael, de quem o Masp tem uma raríssima obra: A Ressurreição de Cristo, feita por volta de 1500. Note como há pessoas e coisas em vários planos diferentes. O mesmo comentário vale para o quadro São Jerônimo, de Andrea Mantegna.
Numa segunda visita, mostre os artistas flamengos (da região onde hoje ficam a Bélgica e a Holanda) e alemães, que se preocuparam com o realismo nos detalhes ao mostrar como a luz -do dia, das velas- incidia sobre as coisas e pessoas. O Retrato do Conde de Surrey, de 1543, do alemão Hans Holbein, mostra isso. Na época houve na Europa uma reação à então rica e pomposa Igreja católica. Religiões protestantes surgiram para pregar a simplicidade. O catolicismo contra-atacou, financiando uma arte ainda mais "enfeitada" -nascia o barroco. Mostre a escultura Diana Adormecida, de autor anônimo, representa esse estilo.
Numa terceira visita, passe para o século 19 e início do 20, quando se desenvolveu a chamada arte moderna, menos preocupada com técnicas e mais focada no estilo individual do artista. Acompanhe essa mudança pela pintura Retrato do Artista Marcellin Desbourtins, do francês Edouard Manet, precursor do impressionismo -movimento que, de certa forma, reagiu ao realismo do renascimento. Os impressionistas pintavam ao ar livre, para captar os efeitos da luz. Em largas pinceladas, registravam prosaicas cenas cotidianas. Outros grandes impressionistas, como os franceses Monet e Renoir, têm pinturas aqui. O movimento chegou à escultura por meio de outro francês, Degas -uma série de suas Bailarinas em bronze está no Masp. Considerado um pós-impressionista, o francês Paul Cézanne (autor de O Grande Pinheiro) foi pioneiro na decomposição da natureza em formas geométricas, prenúncio da arte abstrata, que surgiria no século 20.
Os estilos particulares ganharam evidência e isso pode ser explicado numa quarta visita. Inconfundível, feita de cores fortes e contornos escuros, é a obra do holandês Van Gogh. Também característico é Henri Matisse, com sua pintura alegre de traços essenciais: o Torso de Gesso é lindo. E depois do espanhol Pablo Picasso a arte nunca mais foi a mesma. Dele, o Masp tem o Retrato de Senhora, de influência impressionista, e o cubista O Atleta. Com o cubismo, Picasso tentou representar as pessoas por vários pontos de vista -de frente, de lado... Daí para a arte abstrata contemporânea foi um pulo.





