Já estamos no maior pique do aniversário de 450 anos de Sampa (aliás, estamos trabalhando numa nova e caprichada edição do Guia Fique em São Paulo para a data). Mas não achamos justo ignorar o aniversário da vizinha Embu, que nasceu como aldeia de índios e jesuítas também em 1554. Muitos paulistanos já visitaram a cidade, a apenas 27 km de distância, porém atraídos pela famosa feira de artesanato, pelas lojas dos móveis coloniais e pelos restaurantes, coisas que começaram com a chegada dos hippies, artesãos e artistas nos anos 60.
Mas, muito antes dos hippies, vieram os jesuítas que fundaram a aldeia M´Boy (cobra, em tupi-guarani) para catequizar os índios. Construíram o Conjunto Jesuítico Nossa Senhora do Rosário, em taipa de pilão, composto pela igreja (iniciada em 1700) e pela antiga residência dos padres ou convento (começo do século 18), conjugadas numa mesma edificação, que se destaca pela simplicidade de suas linhas retas. É tombado pelo Patrimônio Histórico. O convento abriga hoje o Museu de Arte Sacra que contém acervo de artes dos últimos três séculos com obras em madeira e terracota.
Entre os destaques do acervo do Museu de Arte Sacra incluem-se o altar-mor da igreja, barroco paulista do final do século 17 e o altar da sacristia, em estilo rorocó, do começo do século 18. Entre as imagens, as atenções voltam-se para Nossa Senhora do Rosário, em terracota, do final do século 17, obra do jesuíta Belchior de Pontes, o mesmo que construiu a igreja; o Senhor Morto, considerada obra-prima da coleção, esculpido em tronco único pelo padre Macaré no século 19; Santa Ceia, em roca do século 19, também do padre Macaré. Não deixe de ver também o órgão tubular do século 17, um dos mais antigos do Brasil e detalhes construtivos do museu, como o piso original e os janelões de encaixe, que não precisavam de pregos ou dobradiças.
Veja também a Capela de São Lázaro, construída em fins de 1934, com a estátua do santo esculpida em tamanho natural pelo santeiro Cássio M´Boy, e o mirante do Cruzeiro da Paz , onde ficam o monumento em forma de cruz de Tadokio Sakai e obras de seus discípulos. Quem quiser pode agendar um tour pela cidade, no Centro de Apoio ao Turista (largo 21 de abril, 139, 9h30 às 18h)
Embu também preserva tradições africanas e indígenas. As primeiras estão no Centro e Teatro Popular Solano Trindade (av. São Paulo, 100, tel. 0/xx/11/9575. 7104). As segundas, no Centro de Informação da Cultura Indígena (estr. do Sol, 11, p/ Itatuba, agendar visitas no tel. 0/xx/11/4704-3278).
Além disso, sugerimos
Restaurantes
Ateliês e antiquários
A história da cidade
Ateliês e antiquários
- Ateliê de Ana Moisés (pintura primitivista): R. Solano Trindade, 13,tel. (11) 4704-4632.
- Ateliê de Célia Santiago (cerâmica em miniatura do casario colonial): R. Águas Marinhas, 3, Chác. Bartira,tel. (11) 4704-4871.
- Ateliê Dada Trindade (pinturas): Av. São Paulo, 100, tel. (11) 4781-3778.
- Marcelo Antiquário: R. Joaquim Santana, 29,tel. 0/xx/11/4704-5775.
- Século XVIII Antigüidades: R. Domingos de Pascoal, 28, tel. (11) 4704-4013.
- Paineira Antiguidades: Av. Elias Yazbek, 780,tel. 0/xx/11/4704-4999.
História
Em 1554, um grupo de jesuítas funda o aldeamento de Bohi, depois M'Boy, a meio caminho do mar e do sertão paulista. Uma capela marca o centro do aldeamento e o local de catequese dos índios. Ao seu redor florescem pequenos sítios e fazendas com plantações de mandioca, legumes e algodão.
Em 1607 as terras da aldeia passam para as mãos de Fernão Dias (tio do bandeirante Fernão Dias, o caçador de esmeraldas) e de sua mulher Catarina Camacha. Talvez o fato de terem um filho jesuíta, explique que o casal tenha doado suas terras aos padres da Companhia de Jesus, em 1624.
No final do século, em 1690, o padre jesuíta Belchior de Pontes transfere o núcleo da aldeia de seu local original e inicia a construção da atual Igreja do Rosário, levando para ela a padroeira, os altares e os santos da primitiva capela, onde permanecem até hoje.
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