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Festa Literária Internacional de Paraty


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Festas foram feitas para celebrar. Nas festas de aniversário comemoramos o privilégio de mais um ano de vida ao lado daquela pessoa querida. Nas festas de colheita --do morango, do vinho, das flores etc-- homenageia-se a generosidade da natureza. Nas festas folclóricas celebra-se a resistência das tradições culturais.

Pois, então, o que celebrou a 1ª Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), encerrada no último domingo, dia 3 de agosto?

Acima de tudo (e acima dos próprios escritores que estiveram presentes), o prazer de ler e escrever; o amor pelos livros; a paixão (às vezes, tara) pela palavra --presente na poesia, na prosa, nos livros de história e até mesmo na música, como cantou Suzana Salles na quinta-feira: "Tem sílaba que leve oscila/ E cai como uma luva na canção".

Continua...

 
Escritores do século 21 X leitores do século 19
O último palestrante de ficção da FLIP 2003 foi o premiado escritor norte-americano Don DeLillo. Considerado um dos maiores autores de língua inglesa da atualidade, DeLillo leu para a platéia trechos de seu último livro "Cosmópolis", que descreve um dia na vida do jovem e bilionário Eric Packer, especulador financeiro em Nova York, numa narrativa que parecia feita em "câmera lenta", desafiando o ritmo dos acontecimentos rápidos do livro. Em resposta a uma pergunta sobre a reação desfavorável de alguns críticos a "Cosmópolis", DeLillo declarou: "Muitas pessoas ainda estão lendo no século 19, e alguns de nós tentamos escrever no século 21".
  Realidade musa inspiradora
"Eu escrevo sobre o que vejo na rua", disse Marçal Aquino. "Eu escrevo sobre a temática urbana, que contém elementos como crueldade, insensibilidade, desespero", afirmou Patrícia Melo. "A maior parte do que escrevo eu vejo a partir do ônibus", garantiu Daniel Mason. E mesmo Bernardo Carvalho, embora afirmando não ter nenhuma regra, mostrou que bebe freqüentemente na fonte da realidade, como fez em seu último livro sobre uma viagem à Mongólia ou em "Nove Noites", em que tratava dos índios da Amazônia. Os quatro protagonizaram, dois a dois, as duas primeiras --e concorridas-- palestras do domingo.
Adotamos a grafia de Paraty com "y" em respeito à decisão da cidade de preservar a raiz indígena
 
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