Autores
de "O papagaio de Flaubert" e "Libra"
são duas das estrelas mais esperadas -
30/07/03
De todos os astros internacionais da festa, o primeiro
a compartilhar de suas idéias com os brasileiros
será, apropriadamente, Julian Barnes.
No dia primeiro de agosto, data de abertura do evento,
o autor de O Papagaio de Flaubert se encontrará
com o público na Casa da Cultura, no Centro Histórico
de Paraty, às 18h, para falar de sua extensa
e brilhante obra. Entre romances, contos e coletâneas
de ensaios, Barnes já publicou 14 livros
oito deles editados no Brasil pela editora Rocco
numa carreira que começou em 1981, laureada com
o prêmio Somerset Maugham logo na estréia.
Mas esta foi apenas a primeira de diversas honrarias,
que nunca deixaram de lhe ser concedidas o autor
já ganhou um E. M. Forster Award, da Academia
Americana de Artes e Letras, em 1986; um Gutenberg Prize,
em 1987; um Grinzane Cavour Prize, em 1988; um Shakespeare
Prize, da FVS Foundation, em 1993; uma comenda de Oficial
da Ordem das Artes e das Letras, na França, em
1995, e muito mais.
O livro mais incensado de Barnes provavelmente é
O Papagaio de Flaubert (1984), um dos
títulos europeus mais premiados dos anos 80.
A mirabolante história de um médico que
procura o sentido de sua vida nos escritos de Gustave
Flaubert, a ponto de tornar-se obcecado por tudo que
se refira ao clássico escritor francês,
rendeu a Julian Barnes não apenas notoriedade,
mas também os prêmios Médicis (França,
1986) e Geoffrey Faber Memorial Prize (Inglaterra, 1985),
além de sua primeira indicação
ao Booker Prize (1984).
Outro grande êxito do autor foi Uma História
do Mundo em 10 ½ Capítulos (1989),
em que ele faz uso de diversos estilos literários
para nos fazer notar que há muito de inusitado
na história da humanidade, brincando, inclusive,
com vários textos sagrados: um animal egresso
da Arca de Noé relata suas aventuras, Jonas conta
o que é estar preso no estômago de uma
baleia e daí por diante. Assim Barnes questiona
a maneira como os homens interpretam os fatos e buscam
explicações para o inexplicável.
Um livro como esse, sozinho, já poderia gerar
uma tarde inteira de discussões em Paraty.
Com Em Tom de Conversa (1991) e
Amor, etc (2000), Julian Barnes abordou o amor
e experimentou uma linguagem extremamente moderna, dando
poder de narrador a todos os personagens. Ambos os títulos
são protagonizados pelo triângulo amoroso
formado por Oliver, Gillian e Stuart. No primeiro livro,
Oliver e Stuart, dois grandes amigos, lutavam pelo amor
de Gillian, mulher de Stuart. No final, um deles leva
a melhor, mas o triângulo volta a se formar dez
anos depois, no livro seguinte, que põe em jogo
tudo o que tinha acontecido em seu predecessor. Qual
será o limite entre o que sabemos e o que achamos
que sabemos? Em Tom de Conversa ganhou
o Prix Femina em 1992. E Amor, etc virou
filme em 1996, dirigido por Marion Vernoux.
História, realidade e amor são temas
constantes na rica e original obra de Julian Barnes.
Em De Frente para o Sol (1986), a personagem
Jean Serjeant atravessa um século de vida questionando
o que o mundo considera verdadeiro, tendo como base
os mais corriqueiros fatos do dia-a-dia. Já no
romance político O Porco-Espinho
(1992), o escritor cria um país fictício
no leste da Europa cujo ditador é julgado por
abuso de poder, após a queda do Muro de Berlim
ao mesmo tempo que ataca o nacionalismo exacerbado,
Barnes avalia a capacidade de resistência de um
indivíduo absolutamente isolado. E Do Outro
Lado da Mancha (1996) reúne contos bem-humorados
sobre as semelhanças e diferenças que
existem entre França e Inglaterra. Como se vê,
não há fórmulas nem lugares-comuns
na literatura de Julian Barnes.
Mais um trabalho seu digno de nota é Inglaterra,
Inglaterra (1998), em que um homem decide criar
um parque temático que reproduza todas as atrações
turísticas de seu país, o que põe
em jogo a identidade cultural da nação.
Esta fascinante crítica à fabricação
de mitos e à supervalorização da
ficção rendeu a Barnes uma segunda indicação
ao Booker Prize.
Graduado em línguas modernas, o inglês
Julian Barnes nasceu em Leicester, em 19 de janeiro
de 1946. Antes de se tornar escritor, ele trabalhou
durante três anos como lexicógrafo do dicionário
Oxford. Por 18 anos, ele atuou na imprensa primeiro
como editor de literatura do New Statesmen, depois como
crítico de TV da Observer e, então, como
correspondente da New Yorker.
Em comum com Julian Barnes, Don DeLillo tem o gosto
pelo anticonvencional e o status de ser um dos maiores
escritores de sua geração. Americano de
Nova York, De Lillo tem, entre seus trabalhos de maior
repercussão, Mao II (1991), ganhador
do PEN/Faulkner Award na categoria ficção.
O livro, protagonizado pelo escritor Bill Gray, mostra
que o princípio da a salvação baseada
na dissolução das personalidades é
atual como nunca.
Libra (1988), surpreendente, é
outro romance famosos de DeLillo, rendendo-lhe um Aer
Lingus International Fiction Prize. O livro refaz a
trajetória de Lee Harvey Oswald, o homem que
assassinou o presidente norte-americano John F. Kennedy.
Não se trata de uma biografia DeLillo
se baseia em fatos, mas complementa a ação
com lugares, pessoas, diálogos e situações
inventadas. Estes dois romances, os mais importantes
da carreira de Don DeLillo, foram editados no Brasil
pela editora Rocco.
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