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Hanif Kureishi lota a platéia da FLIP
A palestra da manhã de hoje foi de Hanif Kureishi, que ficou muito conhecido como autor do livro "Minha Adorável Lavanderia", transformado em filme pelo diretor Stephen Frears. Com platéia novamente lotada (e muitas pessoas de pé), ele surpreendeu ao dizer que não se deve fetichizar os escritores, do mesmo modo que não se deve dar poder demais aos políticos (veja o que aconteceu com -o primeiro-ministro britânico" Tony Blair, comentou). "Todo mundo pode contar uma história. Essa é uma função humana tão natural como correr ou falar. Apenas demora algum tempo para se organizar as palavras. Não se póde tirar esse poder das pessoas."
Depois de ler um trecho de seu livro"The Body" ("as pessoas dedicam boa parte de suas vidas reparando no próprio corpo e no corpo alheio"), ele contou um pouco de seu próximo livro, que definiu como uma leitura da vida de seu pai, também escritor, porém desconhecido. "Acho que ele escrevia muito melhor do que eu, escrevia coisas mais profundas. Eu escrevo sobre drogas e homossexuais", brincou.
Houve várias perguntas dos mediadores e da platéia relativas a cinema -ele é o autor mais próximo do cinema entre os palestrantes da FLIP. Sobre seu encontro com Frears, Kureishi contou a seguinte passagem: "Ele me pediu para tornar o texto melhor. Quando perguntei-lhe como, me pediu que fosse mais sujo, mais violento, mais como um filme de caubói".
Kureishi também revelou um pouco de seu processo criativo. Afirmou que, para ele, a relação entre o trabalho e a vida é como a relação entre o sonho e a vida. "Você produz um livro como produz um sonho. É algo muito espontâneo, impossível saber direito como acontece." Disse ainda que sente um certo terror ao escrever. "Fico pensando sobre o que minha família dirá quando ler determinada coisa. Quando concluo que aquela coisa será destrutiva para eles, sei que deve ser uma história muito boa."
O escritor inglês escreveu também o "Buda do Subúrbio" e "Intimidade", este também adaptado para o cinema. Outro filme conhecido seu é Sammy & Rose, sobre um motorista de táxi paquistanês casado com uma inglesa, que mantém um sistema de casamento aberto.
O fato de ser um inglês de origem paquistanesa foi levantado pela platéia. Seria uma fonte de inspiração? "Sinto-me um outsider às vezes, mas somos todos outsiders de uma certa maneira". A relação entre literatura e psicanálise e o eterno debate sobre se a literatura tem de ser necessariamente autobiográfica também afloraram. "Acho que todo mundo tem necessidade de contar histórias para os outros e, nesse sentido, a cultura é uma forma de terapia, algo que equilibra um mundo tão violento e destrutivo. Quando você fala/escreve, você muda, você deixa de ser o mesmo."
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