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Flipando em Paraty, outras leituras da festa

Frases imperdíveis

Escritores costumam dominar a palavra escrita e pensada. Mas, na FLIP, mostraram que são bons também na palavra oral e improvisada. Leia algumas frases fortes emitidas por eles:

- Fiquei preocupado quando me disseram que, se eu tivesse escrito a história da Chapeuzinho Vermelho, o lobo mau seria torturado antes de ser morto. Então, resolvi escrever sobre o amor (Marçal Aquino)

- Coloquei todos os meus preconceitos na boca dos personagens. Fiquei irritadíssimo com a igreja budista, por exemplo. (Bernardo Carvalho, sobre o livro que escreveu a partir de uma viagem à Mongólia)

- Sou um cavalo dos meus personagens. A fala é deles, não minha (Luiz Ruffato. "Cavalo", no candomblé, é o médium que incorpora um orixá)

- Sou da geração das salas escuras dos cinemas. Meu texto tem ritmo de cineasta. Nós somos escritores que queriam ser cineastas (Tabajara Rúas)

- Quem os ensinou a escrever tão lindamente, tão poeticamente? (Pergunta feita por leitora, professora, aos três jovens escritores que fizeram o Big Brother literário, ficando "trancados" por 15 dias em Paraty para escrever contos inspirados na cidade)

- A questão não é por quê, mas para quê (Personagem do conto lido por Ana Maria Machado, referindo-a à razão de as coisas acontecerem)

- Arte não tem função. Ou melhor, tem: comover, carregar no colo, inventar o ser humano ( Ferreira Gullar)

- Einstein queria tocar violino. Não conseguiu; morreu frustrado (Ferreira Gullar)

- Como a poesia concreta é só teoria, ela é fácil de ensinar. Difícil é ensinar Drummond (Ferreira Gullar)

- Tudo é expressão, mas nem toda expressão é arte. Se pisarem no meu pé e eu gritar, isso é expressão, mas não é arte. Produzir cocô artificial não é arte, mesmo que o autor do feito diga que está na vanguarda e considere babaca um poema de amor (Ferreira Gullar)

- Tenta-se destruir a arte por arrogância. Mas não se ganha nada destruindo a arte (Ferreira Gullar)

- A violência urbana precisa ser encarada como doença social. A reação a ela é baseada nas emoções, quando deveria basear-se na ciência (Dráuzio Varella)

- Acompanhei um presidiário que foi solto da Casa de Detenção da avenida Cruzeiro do Sul, em São Paulo. Ele não tinha dinheiro para pegar um ônibus e iria a pé até o Campo Limpo, que é longíssimo. Se fosse eu, roubaria alguém para ir de táxi (Dráuzio Varella)

- Não existe capitalismo mais selvagem que o crime (Dráuzio Varella)

- A felicidade do corpo que todos procuram agora depende da felicidade química. E esta depende dos marginais. Mesmo os favorecidos estão nas mãos do lúmpen, algo que nunca aconteceu antes (Jurandir Freire Costa)

- O que me assusta é que esta geração só pensa em ser juvenil e magra. Não se tenta mais vencer a morte, criando a eternidade e a imortalidade, pela religião e pela arte (Jurandir Freire Costa)

- Se a humanidade sobreviveu ao século 20, ela é capaz de sobreviver a qualquer coisa (Eric Hobsbawn)

- A revolução na América Latina é possível e desejável. Eu sonho com uma revolução arrebatadora na América Latina. (Eric Hobsbawn)

- A Era da Bárbarie não acabou. Continuam achando que há uma luta entre o bem e o mal. Há fundamentalistas no Oriente, há fundamentalistas no Texas (Eric Hobsbawn)

- Tentei fazer história de tudo. Menos de política, que é algo repetitivo (Eric Hobsbawn)

- Nunca se esqueça da diferença entre o fato e o que você gostaria que ele fosse (Eric Hobsbawn, respondendo à pergunta de um jovem historiador)

- Eu era um outsider. Achava que não pertencia a lugar algum. Comecei a escrever para começar a falar. Para desenvolver um sentido sobre mim mesmo (Hanif Kureishi, descendente de paquistaneses nascido em Londres)

- Se um parágrafo que você escrever significar algo para alguém, já terá valido a pena. Cultura é uma forma de terapia (Hanif Kureishi)

- A relação entre o livro e a vida é a mesma relação entre o sonho e a vida (Hanif Kureishi)

- Eu escrevo contra o poder, contra o Estado, contra a máquina de desperdício que caracteriza nossa cultura (Don DeLillo)

- "Ninguém tem autoridade para dizer que é um escritor. Mas também ninguém pode dizer que você não é um escritor" (Julian Barnes)

 
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