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Flipando em Paraty, outras leituras da festa
Melhores e Piores
Na febre classificatória de que todos nós padecemos, foram feitos rankings formais e informais durante a FLIP:
- As palestras mais emocionantes, que despertaram os mais longos entre os longos aplausos que caracterizaram a festa: Eric Hobsbawn e Ferreira Gullar
- A melhor leitura em voz alta: Ana Maria Machado
- A pior leitura em voz alta: Milton Hatoum (Vale lembrar que ele dividiu o palco com a dona da melhor leitura, Ana Maria Machado; porém o texto de Hatoum era tão bom que não teve importância)
- Os escritores mais simpáticos e acessíveis: Eric Hobsbawn e Daniel Mason
- O visual mais anos 70: Don DeLillo
- Os únicos que usaram bermuda no palco: Joaquim Ferreira dos Santos e Bernardo Carvalho
- O único parecido ao mesmo tempo com José Saramago e Millôr Fernandes: Zuenir Ventura (foi confundido com ambos nas ruas de Paraty)
- O sotaque predominante da FLIP: o carioca, na opinião dos paulistas. E vice-versa
- A melhor trilha sonora da FLIP: o som das carruagens passando pelas ruas de pedra e entrando pela janela da Casa da Cultura
- A pior trilha sonora da FLIP: No auditório principal da Casa da Cultura, a voz dos tradutores que vazava dos fones de ouvido, os celulares que insistiam em tocar vez por outra e, na palestra de DeLillo, um ataque de tosse coletivo
- As mulheres protagonistas da FLIP: Elas eram poucas, mas eram boas, muito boas: Ana Maria Machado, Patrícia Melo e Adriana Falcão
- Melhor relação entre cinema-literatura: as obras de Hanif Kureishi (Minha Adorável Lavanderia, Sammy & Rose) e de Marçal Aquino (O Invasor)
- Melhor relação arquitetura -literatura: Ferreira Gullar explicando Oscar Niemeyer. "Niemeyer usou a curva. Ele compreendeu que o concreto armado possibilitaria isso e rompeu com o radicalismo da funcionalidade que vigorava então. Nenhum arquiteto em toda a história do mundo criou tantas formas como Niemeyer."
- Melhor relação artes plásticas - literatura: O novo livro de Ferreira Gullar, "Relâmpagos", em que ele analisa com o coração e a poesia algumas obras que o tocaram, como o manto do "louco" Arthur Bispo do Rosário, a obra "Azul e Negro" de Siron Franco e "A Mancha" de Leonardo da Vinci. "Linguagens simbólicas não são traduzíveis uma na outra; o que a pintura diz, a palavra não diz, e vice-versa. Eu escrevo sobre o não está no quadro."
- Melhor relação música - literatura-1: O novo livro de Patrícia Melo, "Valsa Negra", cujo personagem principal é um maestro que fala de Brahms como quem fala de ovos mexidos.
- Melhor relação música - literatura-2: Os belos shows de abertura ("Sílabas, de Suzana Salles) e fechamento (de Tom Zé), com músicas de letra forte. E os leitores assistindo à apresentação das tradicionais cirandeiras de Paraty.
- Melhor lição de português: Ferreira Gullar, explicando que escreveu um livro intitulado "Lições da Arquitetura", para contar o que aprendeu com ela, e o viu transcrito na mídia como "Lições de Arquitetura", como se ele fosse capaz de ensinar a dita cuja
- O principal objeto de desejo: livros autografados de modo geral e as lindas plaquinhas da festa pintadas a mão em particular (todos falavam em "roubar" uma de lembrança; mas elas desapareceram misteriosamente no domingo)
- O mais bacana da FLIP: a igualdade, sonhada por Hobsbawn, representada por leitores e escritores, e suas famílias, lado a lado --nas ruas, nos cafés, nos restaurantes
- O menos bacana da FLIP: a força do capitalismo, combatida por Hobsbawn, percebida na subida de preços que caracterizou os melhores restaurantes de Paraty (mas há que se dizer que os pratos continuaram excelentes)
- Lugar mais simpático: difícil escolher, mas talvez seja a pequena livraria de frente para o mar, única de Paraty, onde os autores assinavam os livros e trocavam palavras com os leitores
- Pessoas mais simpáticas: em primeiro lugar, o pessoal da organização que estava na Casa da Cultura; em segundo, todos os comerciantes de Paraty, que eram só sorrisos
- As comidas mais típicas: camarão casadinho (recheado com farofa); entre os doces, o pé-de-moleque feito de melado de cana-de-açúcar, farinha de mandioca local e gengibre. Também fez sucesso um carrinho que vendia bolinho de tapioca, um momento de Pelourinho do centro histórico de Paraty
- Maiores concorrentes da FLIP: os passeios de barco pelas paradisíacas ilhas de Paraty. Quase todo mundo os fez, escritores e leitores
- Maior elegância da FLIP: o papel orgulhosamente coadjuvante e discreto exercido por editores de livros e livreiros, que são aqueles que movem montanhas no mercado editorial. Estavam presentes Luís Schwarcz (Companhia das Letras), Roberto Feith (editora Objetiva), Luciana Villas-Bôas (editora Record) e Pedro Herz (Livraria Cultura), entre outros
- O melhor da tecnologia: os telões, tanto o do andar térreo da Casa da Cultura, como o da tenda aberta ao público na Praça da Matriz, muito democrático
- O pior da tecnologia: os microfones utilizados pelos autores nas palestras, que seriam substituídos com muita vantagem por microfones de lapela
- Melhor cadeira da FLIP: qualquer uma conseguida na sala de cima da Casa da Cultura, onde ficavam os escritores -o preço era R$ 10
- Segunda melhor cadeira da FLIP: qualquer uma conseguida na sala do andar térreo da Casa da Cultura, onde ficava o telão -o preço era R$ 8
- Terceira melhor cadeira da FLIP: o chão de terra batida da tenda com telão na Praça da Matriz -gratuito (mas bem que, em 2004, poderia haver cadeiras, mesmo que seja para alugar)
- Pergunta que provocou a melhor resposta na FLIP: O que o senhor acha da poesia concreta? - Feita para Ferreira Gullar. (Sabemos que também houve ótimas perguntas não formuladas, por timidez. Fica a sugestão de que, na versão 2004 da festa, dê-se espaço também a perguntas por escrito)
- Maior surpresa da FLIP: não havia flanelinhas para "cuidar" dos carros estacionados
- Maior arrependimento da FLIP: a equipe de reportagem do site Fuja, que dividiu o restaurante Merlin o Mago com Hobsbawn e, nas personas de jornalistas independentes, não teve coragem de tietar e tirar uma foto com o historiador
- Pedidos mais ouvidos para a FLIP 2004: alguém da teoria literária, como Alfredo Bosi, David Arrigucci ou -sonho dos sonhos- Antônio Cândido; um escritor poderoso de língua espanhola, como o colombiano Gabriel Garcia Marquez; o canadense Michael Ondaatje (de "O Paciente Inglês"); um filósofo, como Marilena Chauí
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