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FIQUE EM SÃO PAULO - GASTRONOMIA
Dize-me o que comes e te direi quem és. Essa frase, dita e repetida por vários especialistas, não poderia ser mais verdadeira. A comida traduz com perfeição a geografia de um país, sua história, sua cultura, seu povo. Basta notar como ela sempre é um ponto alto nos relatos de viagem.
Quem mora em São Paulo, ou a visita, tem o privilégio de estar em uma das capitais gastronômicas mundiais, fato que se deve ao grande número de imigrantes recebidos pela cidade. Por isso, nada melhor do que aproveitá-la para conhecer o mundo sem sair daqui. Freqüente os restaurantes paulistanos e ensaie suas futuras viagens pelo Brasil e pelo planeta.
O novíssimo, e inovador, guia Fique em São Paulo – Gastronomia facilita o trabalho de quem quiser dar essa primeira volta ao mundo, percorrendo mais de 50 países –em, muitos deles, várias regiões distintas– em 83 restaurantes. Repleto de informações e fotografias, o guia ajuda a nos transportar para cada lugar em questão. Você vai entender por que a culinária peruana está em ascensão, o que diferencia a cozinha da África negra da cozinha da África árabe, quais são as características das diferentes regiões da Itália, da China e da Índia, os hábitos do Japão ou de Nova York, os pratos mais típicos do Pantanal Matogrossense, da Tailândia, do Vietnã ou do Deep South (o Dixieland) americano. De quebra, você ganha souvenirs de viagem: receitas, claro!
FUJA POR UM ANO
E Deus, no Monte Sinai, mandou Moisés dizer aos israelitas:”Quando vocês estiverem na terra que estou lhes dando, devem dar à terra um período de repouso, um shabbat para Deus. Durante seis anos vocês devem semear os campos, podar seus parreirais e colher suas safras. Mas o sétimo ano é o shabbat dos shabbats para a terra. É o shabbat de Deus, durante o qual vocês não devem semear os campos nem podar os parreirais” (Levítico 25:1-7). Sim, o conceito “ano sabático” como interrupção da rotina de trabalho vem da Torá, o livro sagrado dos judeus, e está profundamente enraizado na cultura judaico-cristã, que é a base da civilização ocidental. Nesse ano, até as dívidas são perdoadas. Isso guarda relação direta com o fato de Deus ter descansado no sétimo dia depois de criar o mundo e com o shabbat semanal judaico, das 18h de sexta-feira às 18h do sábado, quando nem louça se pode lavar. Essa é a origem. Mas o sabático de que tratamos neste guia não tem nada de religioso.
“I’m on sabbatical.” Se alguém lhe perguntar o que está fazendo longe de casa, você pode dar essa resposta. Acima da linha do equador, o termo já é bem conhecido. Foi disseminado pelas grandes instituições acadêmicas norte-americanas e européias, que periodicamente dão folga remunerada para seus professores viajarem e se reciclarem, com duração de três meses a um ano. Muitas empresas multinacionais também adotaram essa política como forma de atrair, motivar e reter funcionários. No Brasil, tanto universidades como empresas começam a abraçar a prática do sabático. A Universidade de São Paulo (USP), embora não tenha política formal de sabáticos, concede licenças especiais a seus professores, enquanto a Fundação Dom Cabral (veja pág. 67) e a Fundação Getulio Vargas desenvolveram sistemas de intercâmbio com instituições internacionais, pelos quais enviam seus professores ao exterior. O Grupo Semco é um exemplo de empresa que já institucionalizou o sabático –o programa “Trabalhar e Parar” o remumera com duração de até três anos. Como explicou seu líder, Ricardo Semler, em uma entrevista, a rotatividade de funcionários em todos os setores de atividade está aumentando 0,9% ao ano, o que significa que as pessoas estão fartas de seus empregadores. “É uma abordagem de avestruz ignorar essa tendência.” O funcionalismo público brasileiro sempre teve sabático: é a licença-prêmio dos profissionais de organismos municipais, estaduais e federais com atuação voltada ao atendimento público, que representa até três meses de folga cada cinco anos de trabalho assíduo, desde que o funcionário tenha cumprido suas metas. Os milionários brasileiros também sempre fizeram sabáticos –além de irem viajar pela Europa e estudar nos Estados Unidos, exploravam destinos exóticos, como a África ou a Índia. A difrença é que isso agora se tornou acessível à classe média –tanto que viajar longamente como mochileiro deixou de ser algo limitado aos jovens e ganhou charme. E vale não apenas para quem tem emprego. Os “autônomos” –desde os donos dos próprios negócios até estudantes e desempregados– também começam a fazer sabáticos por sua conta e risco. Cada vez mais consultores de carreira indicam sabáticos.
Por trás da crescente disseminação dos sabáticos estão, além do movimento de globalização econômica, idéias como as do italiano Domenico de Masi, autor de O Futuro do Trabalho, e do norte-americano Malcolm Gladwell, que escreveu Blink. De Masi afirma que o atual sistema de produção precisa do “ócio” das pessoas, pois é no ócio que se cria. Gladwell garante, apoiado em evidências, que as melhores decisões, profissionais e pessoais, tendem a ser as intuitivas –e sabe-se que, quanto mais variadas as experiências de vida, mais afiada a intuição. Pois na essência de uma viagem sabática, diferentemente da turística, estão esses elementos: o ócio que leva a criar e a diversidade de experiências de vida. Mas essa essência também poderia ser resumida em uma única palavra: tempo.
O Guia Fuja por um Ano, o único guia de viagens de longo prazo do mercado editorial brasileiro, vem justamente oferecer as informações necessárias para que um sabático possa ser realizado sem que, para isso, seja preciso abrir mão das conquistas já feitas.
- O primeiro capítulo fornece um guia prático para a tomada de decisão sobre se e quando fazer esse intervalo, propondo, inclusive, um exercício de auto-análise.
- O segundo capítulo traz mais de 30 depoimentos, os mais variados, de quem já fez sabático –pessoas de todas as idades e níveis socioeconômicos, sozinhas ou nas mais variadas companhias, relatam viagens dos mais diversos tipos em um amplo mosaico de destinos geográficos. A experiência de quem fez é inigualável, em todos os sentidos.
- O terceiro capítulo mapeia o mundo para que você consiga escolher para onde ir e possa montar um “roteiro inicial”, versão beta, da viagem.
- E o quarto e último capítulo traz todas as informações práticas que lhe permitem tornar a viagem mais segura, econômica e rica.
FIQUE ZEN EM SÃO PAULO
O que é ficar zen em São Paulo? Na sua origem, a palavra zen vem do Oriente. Nasceu na Índia, atravessou a China até chegar ao Japão, onde se fez sinônimo de um ramo do budismo mahayana. De maneira estrita, significa estar no estado de concentração típico da prática meditativa. Mais do que um estado de consciência, contudo, tornou-se um jeito de ver e viver a vida. Podemos dizer que a pessoa zen se desapega das formas, das palavras e dos conceitos e experimenta a realidade direta. E assim alcança a plenitude. (O zen estrito faz isso por meio da meditação.) Portanto, estar zen, em um sentido amplo, é buscar a consciência plena. É estar inteiramente bem –consigo, com o outro, com o todo.
Com esse entendimento, olhamos para a cidade de São Paulo. Que lugares, que atividades, que espaços podem contribuir para esse estado de bem-viver?
Seguindo a linha do equilíbrio, do ying e yang, começamos a encontrar as respostas. Se a cidade é acelerada, o que pode trazer uma pausa no dia-a-dia? Já que se impõe a velocidade do carro, do computador e da escada rolante será que não vale buscar atividades no ritmo das mãos e dos pés? Já que reina o lazer em espaços fechados, tantas vezes restritos pelo preço, certamente devamos buscar as praças, as ruas, os parques, o que se pode fazer ao ar livre ou de graça.
Procurar o horizonte e quem sabe um pôr-do-sol entre os viadutos e pontes. Ou ainda pássaros, flores e árvores no meio dos prédios e tantas construções. Buscar o encantamento e o impulso criativo dos espaços de arte e conhecimento. No meio dos sons da cidade, encontrar silêncio e recolhimento nos jardins e templos. Em resposta ao excesso de estímulos de informações, o toque da água ou do barro.
Se é raro o encontro espontâneo e o diálogo na rua, ficar zen em São Paulo deve significar também conversas soltas ou até mesmo danças de roda. Em contraponto aos restaurantes apressados, com celular e televisão à vontade, encontrar lugares onde comer que zelem pela harmonia do ambiente e do cardápio.
A gente logo descobre que não há uma lista pronta, repleta de mais mil opções de lazer e consumo. Ficar zen em São Paulo é acima de tudo um mapa aberto: cada um encontra seu caminho.
Caminho, inclusive, é uma das palavras-chaves da proposta. Essa idéia marca a visão de mundo que inspirou o conceito original de zen. Não à toa várias das artes de origem japonesa levam no nome a palavra do (que significa caminho). A cerimônia do chá é o chado (caminho do chá). O ikebana é o kado (caminho da flor). As artes marciais compõem o budo (caminho do guerreiro). Independente da técnica ou a atividade, a pessoa vive uma busca, uma constância, um desenvolvimento pessoal. É a mesma proposta do tao chinês.
Nesse caminho, aprende-se a perceber e a trabalhar a energia que mantém cada um vivo e ligado com o todo. Energia é outro conceito comum que atravessa distintas tradições. Na Índia, é o prana, que em sânscrito significa a força da vida. Para os japoneses o ki, para os chineses o chi. São várias modalidades - tai chi chuan, chi kung - trabalhando a mesma energia. Os gregos já se referiam ao pneuma –e muitos ocidentais continuaram sua tradição, como mostra o Guia Fique Zen. Em hebreu, o ruach. Na tradição afro-brasileira, o axé.
Essas essências se fazem presentes em qualquer tempo, qualquer lugar. As mais diferentes práticas que imaginamos –da massagem ao banho relaxante e curativo, da alimentação saudável à ioga, da arte marcial à meditação– propõem chegar ao mesmo ponto: um encontro consciente consigo mesmo, vivendo a plenitude do momento presente. Um caminho interior, contínuo, para deixar fluir a energia vital.
Os menus na introdução deste guia explicam todas as atividades zen: alimentação, artes marciais, banhos e saunas, danças, espaços de inspiração (templos e parques), ioga, massagens,medicina doce, meditação, terapias integrais, oráculos e autoconhecimento, trabalhos manuais, vivências e retiros, além de um calendário que ajuda a viver segundo a estação do ano, em harmonia com a natureza.
Uma pergunta natural é: por que tanta diversidade de atividades? Não basta encontrar a sua e praticá-la sem interrupções? Ao que tudo indica, não. O equilíbrio pressupõe a rotação de atividades para que, em conjunto, sejam integradoras e integradas .
Os espaços onde se deve praticá-las compõem o miolo do Guia Fique Zen, dividido pelas regiões de São Paulo: Região Central, Zona Norte, Zona Sul, Zona Leste, Zona Oeste, Arredores. Todos foram selecionados por sua seriedade e dedicação.
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