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5 programas em 5 fins de semana

Por Adriana Salles Gomes

Nos fins de semana de quem tem filho pequeno, geralmente um dia se reserva para visitar avós, padrinhos e afins e o outro é dedicado aos passeios. Ou, no caso de pais separados, como é o do meu filho Tomás, de 2 anos, o sábado é da mãe e o domingo, do pai. Ou vice-versa.

No último mês, Tomás e eu testamos cinco passeios de um dia, um teste que pode ser útil a todos que convivem com crianças pequenas, até 5 anos de idade: dois deles se localizam fora de São Paulo (Araçoiaba da Serra e Sorocaba) e três na capital (Jockey Club de São Paulo, Zoológico de São Paulo e o novo Aquário de São Paulo, no bairro do Ipiranga). Apenas um não atendeu plenamente às expectativas; dois as superaram, sendo que um deles teve até replay. Demos notas de 0 a 10, sem nenhuma pretensão “científica”, é claro.

PASSEIO 1 - NOTA 10 COM LOUVOR:
ZÔO QUINZINHO DE BARROS, EM SOROCABA

Saí de casa tarde, às 10h, sem correria. Meu plano era almoçarmos mais tarde do que de costume e, para garantir, carreguei banana e suco para enganar o estômago até lá.

Sorocaba fica a uns 90 km de São Paulo, cerca de uma hora, e, pela Castelo Branco, a viagem é muito tranqüila. Fomos ouvindo Beatles, que o Tomas adora, conversando sobre os bichos –os sem-floresta do zoológico, como ele diz– e deu até tempo de o sapeca tirar uma soneca para chegar lá com a corda toda. Eu encontrei fácil o caminho (todos na cidade sabem onde é e têm prazer em informar (mas eu detalho o modo de chegar abaixo).

De cara, boas surpresas para quem tinha ido ao Zôo de São Paulo na semana anterior (veja texto abaixo): ingressos mais baratos, estacionamento mais fácil e mais barato, filas menores e mais rápidas. E algo que eu valorizo muito: todo mundo sorrindo! Os funcionários do Quinzinho são MUITO gentis!

O Quinzinho reúne as qualidades de um zôo grande e de um zôo pequeno: tem grande variedade de animais --1.400-- e fica numa área razoavelmente pequena. Isso garante que seja bem cuidado, além de muito agradável, porque a área é toda arborizada, parte de uma reserva florestal. Mas o fato de ele ser pequeno, aconchegante até, faz toda a diferença mesmo para as crianças pequenas: elas podem andar livres, leves e soltas. Imagine se temos coragem de deixar os pequenos soltos no zôo de São Paulo. Jamais! No Quinzinho, o Tomás corria solto numa felicidade que só vendo!!! Ele via a placa do bicho e depois ia encontrar o bicho em “pessoa”. Não é à toa que o Quinzinho tem muita criança pequena.

Outra coisa: distâncias curtas dispensam o trambolho do carrinho. Eu até levei carrinho por conselho do moço do estacionamento (“seu filho vai cansar e lhe pedir colo!”), mas não precisa. É só ir parando para descansar que as crianças dão conta do recado.

Fora a girafa e a zebra, todos os bichos de que as crianças gostam estão lá: leões (o Simba do rei leão), onças, elefantes (Dumbo ou Babar), tigres (o malvadão do Mogli ou o tigrão bonzinho do ursinho Pooh), lobos (por causa do lobo mau), ursos (Pooh), cobras (as enormes sucuris e pítons indianas, que parecem da turma do Tarzan e Mogli), veados (bambi), jacaré gigantesco (o do Peter Pan e Capitão Gancho) etc. E tem os outros bichos curiosos. O Tomás, por exemplo, gostou bastante do macaco mandril, aquele com cara de máscara africana que batiza o Simba no começo do rei-leão. Ele também curtiu muito o avestruz (da música X-Tudo), o tamanduá (que viu no Zooboo Mafoo), o canguru (irmãos Coala), o cisne (do patinho feio) e um mundo de referencias. E até sem referencias também: ele se impressionou muito com as águias e o condor.

Outra grata surpresa foi o fato de boa parte dos animais estar acordada. No Zôo de São Paulo, sob um sol extenuante, todos dormiam refugiados nos seus cantos e ficava difícil até vê-los. Como o Quinzinho tem mais sombra, os animais se sentem mais bem dispostos. Além disso, as jaulas foram feitas para facilitar a visão. E os funcionários estão circulando o tempo todo pelo zoológico, o que deve dar uma certa segurança para os animais, eu suponho.

Ah! O povo lá é criativo e antenado: eles montaram um cemitério de animais extintos que faz sucesso. Também andou aparecendo uma barata enorme na região e eles fizeram uma exposição sobre o assunto.

Fomos mais uma vez ao Quinzinho e já considero aquele lugar nosso cantinho especial, meu e do Tomas. Da próxima vez, acho que vou voltar depois do almoço porque, como um guarda de lá me explicou, à tarde os macacos bugios da mata ao redor enchem o lugar e fica uma gritaria animada.

Nós fomos comer numa churrascaria rodízio depois do passeio, porque o Tomás adora coraçãozinho de frango. Mas há outras opções. Só sei que o Tomás adorou a visita aos “sem-floresta de Sorocaba” e eu também. Não percam por nada.

Como chegar

É muito fácil. Indo pela rodovia Castelo Branco e pegando, na placa para Sorocaba, a chamada Castelinho, você vai acabar naturalmente na avenida Dom Aguirre. No segundo viaduto, amarelinho (junto de um viaduto para trens), você passa por baixo, sobe à direita, atravessa para o outro lado na direção da e pega a avenida Coronel Nogueira Padilha. Quando você chegar a uma bifurcação em torno de uma pracinha, contorna pela direita, vira na primeira à esquerda e pega a primeira ruazinha à direita. Essa rua vai acabar na porta do Zoológico.

Você pode estacionar num dos estacionamentos improvisados mas confiáveis dessa rua de acesso, na própria rua se houver vaga (tem guardador de carro), ou na rua do Zoológico. O endereço é Rua Teodoro Kaisel, 883.

Na hora de almoçar

Você pode levar sua cesta de piquenique, comer na lanchonete do zoológico, ou almoçar num dos restaurantes de Sorocaba.

- na churrascaria O Laçador (que fica no caminho de volta, na avenida Coronel Nogueira Padilha, 612)

- num dos vários restaurantes da avenida São Paulo, que você pega virando à direita na última travessa da Nogueira Padilha antes de chegar de novo à Dom Aguirre. A Avenida São Paulo é no caminho de volta para casa (dá acesso tanto à rodovia Raposo Tavares como à Castelo Branco). Você anda um bom bocado até chegar a três restaurantes vizinhos: churrascaria OK, costelaria e uma casa de comida portuguesa (Chácara Santa Victoria - Avenida São Paulo, 3445 - (15) 3237-0220)

Outras informações
Tel. (15) 3227-5454.
Horário: ter-sex 8h-16h; sáb, dom e feriados 8h-17h. Ingresso: R$ 3. (Menores de 7 anos e maiores de 60 anos não pagam.)

PASSEIO 2 - NOTA 4:
ZOOLÓGICO DE SÃO PAULO

Não é que o Zoológico de São Paulo seja ruim, longe disso. É um dos maiores e mais respeitáveis da América Latina, tem um grande número de animais, ótimos passeios noturnos e o Zôo Safári, incorporado a ele, é um programa que o Tomás e quase todas as crianças adoram. Ele inclusive se modernizou nos últimos anos: agora tem lojinhas de suvenires e uma lanchonete menos desconfortável que a anterior.

Mas para os pequenos, o Zôo de São Paulo realmente não é agradável. Fica muito lotado, pode-se andar bastante conforme a vaga que lhe sobre no estacionamento, há filas enormes para comprar ingresso, o ingresso é caro (R$ 10), percorrem-se longas distâncias lá dentro, falta sombra e é frustrante tentar mostrar o leão ou o tigre dormindo em cima daquelas arquibancadinhas. Acima de tudo, não dá para deixar a criança à vontade com tanta gente. Tem de ficar de mãos dadas, no colo ou no carrinho.

E confesso: senti falta, na comparação com o Quinzinho, do cuidado humano. Não vi funcionários passeando e conversando com os animais. Não vi funcionários. Não sei as circunstâncias disso, mas a diferença é gritante.

O que sei é que só volto lá com meu filho quando ele for bem maior. Ou em passeio noturno. Enquanto isso, vamos ao Quinzinho (aliás, como eu moro na Zona Oeste, o tempo de viagem é quase o mesmo, só tem o pedágio de desvantagem) e ao Zôo Safári.

Endereço: Av. Miguel Stéfano, 4241, Água Funda. Acesso pela Avenida dos Bandeirantes e placas. Tel.: (11) 5073-0811. Estacionamento: R$ 10. Ingresso: R$ 10 (crianças menores não pagam).

PASSEIO 3 - NOTA 8:
ARAÇOIABA DA SERRA

Tudo é muito fácil em Araçoiaba da Serra e essa é a grande vantagem da cidade, que tem aquela carinha simpática de interior – e as pessoas simpáticas de interior também. Num domingo desses, fui para lá com o Tomás e a minha mãe e nos divertimos bastante. Saímos tarde de São Paulo e queríamos primeiro almoçar. Nossa primeira parada foi em um restaurante novo, que eu queria conhecer e avaliar para os guias, mas estava fechado.

A cara desse restaurante era ótima, no entanto, e vou voltar lá. Quem quiser se arriscar, eis a dica: é o Bistrô Lê Gourmet, na rua Ana Rodrigues de Oliveira, 52, tel. (15) 3281-3263 (a partir da rua principal de acesso à cidade, bastar entrar na rua entre o supermercado Dia-a-dia e igreja Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias, à esquerda de quem está chegando, aí tem placas).

Então, decidimos almoçar na ótima Fazenda Reviver, que está em nossos guias desde o início. Não tinha avisado antes que iria, como é de praxe, mas mesmo assim fomos muito bem recebidos pela proprietária Mônica e por todos os funcionários. Também é preciso admitir que o Tomás, muito bem humorado, é um relações-públicas de primeira grandeza. Dá para ir só passar o dia, sem se hospedar, aproveitando piscinas (inclusive uma coberta) e instalações e com almoço. A comida estava excelente –realmente acima da média de bufê de almoço de hotel– e o Tomas ainda aproveitou para dar umas corridas no gramado. Detalhe: o hotel faz sucesso entre os sertanejos (tinha foto do cantor Daniel e outros) e o padre Marcelo (tinha foto dele também). Como o Tomás não reconheceu nenhuma dessas celebridades nas fotos, nem sabia cantar nenhuma das musiquinhas, acho que o pessoal ficou meio chateado... Para chegar lá, basta ir até a rodoviária (pela mesma rua principal) e virar na rua dela, chamada Paulino Pinto (tem placa). São uns 2 km, um trecho de terra, até a fazenda. (telefone: 15-3281-2378)

O ponto alto do passeio para o Tomas, no entanto, foi o Apiário Morada do Sol – atenção; fecha aos sábados Lagos (tel. 15-3281.1809). Para chegar lá, basta seguir a rua da rodoviária, que é a estrada para Capela do Alto. Tem um restaurante charmoso, decorado com antiguidades, mas, principalmente tem bichos. As abelhas vemos de longe, mas causam impacto; e tem cavalinho e charrete também, além de galinhas d’angola (o Tomás lembrou da música do Cocoricó, “tô fraca, tô fraca, tô fraca”). Na mesma estrada ainda há o ótimo Pesqueiro 9 Lagos (tel. 15-3281.2804), onde também se passa o dia, mas deixamos para uma próxima vez; minha mãe estava cansada e voltamos para Sampa.

PASSEIO 4 - NOTA 9:
JOCKEY CLUB DE SÃO PAULO

Primeiro devo dizer que passei minha infância indo ao Jockey. Meu pai era sócio, proprietário e criador de cavalos de corrida, e dono de uma clínica veterinária especializada neles. Confesso que achava aquele programa meio chato. Às vezes havia crianças com quem eu podia correr no gramado e brincar, mas, na maior parte do tempo, eram só adultos. Eu ficava catando pules velhas do chão (os comprovantes de apostas em cavalos que perderam) e fazendo de conta que era dinheiro. Ou fazia coisas proibidas, como escorregar do lado de fora das grades da arquibancadas, o que é perigoso, ou entrar nos salões fechados --e chiques-- da sede social (eram minhas passagens secretas).

Fazia muito tempo que eu não ia ao Jockey e foi uma grata surpresa ir com o Tomás. Esse foi o outro passeio que superou as expectativas. Os três restaurantes (Charlô, Mercearia São Roque e Bar Cânter) são ótimos, o que eu já sabia, mas não fomos almoçar. O que me surpreendeu foi que o clube se tornou em espaço muito mais amigável para crianças pequenas.

Em primeiro lugar, eles aproximaram os cavalos das pessoas. Os animais desfilam agora no gramado na frente da arquibancada social e tiram foto lá também. As crianças curtem isso. Outra coisa é que há um super playground cheio de crianças. E foram incorporadas outras atrações. No dia em que fui, por exemplo, havia apresentações de danças típicas japonesas nos intervalos dos páreos e demonstrações de equipamentos do Exército. As crianças aproveitaram muito. O Tomás prestou atenção, mas curtiu mesmo o playground e os cavalos, e até a coisa de ficar sentado na arquibancada (ensaio para os futuros jogos de futebol, talvez).

Nós até fizemos apostas de R$ 1 e ganhamos. Ele se divertiu ao torcer pros cavalos!

Únicos pontos falhos: 1) o banheiro social, todo em mármore, não está preparado para troca de fraldas; 2) eles modernizaram a narração no Jockey, o que é normal; agora tem uma moça que passeia pelo clube falando no microfone, como aqueles DJs de ofertas em supermercados, e o narrador das corridas faz comentários de incitamento ao jogo, como: “Aposte nesse cavalo; com o que ele está pagando, você pode comprar aquela geladeira que estava querendo”. O Tomás nem notou, mas isso me incomodou um pouco. Fora isso, o Jockey está de parabéns.

Endereço: Av. Lineu de Paula Machado, 1.263 (deixar carro com manobrista). Tel.: (11) 3816-4011.

PASSEIO 5 - NOTA 6:
AQUÁRIO DE SÃO PAULO

O Planetário Mundo Estelar, do Bairro do Ipiranga, abriu agora um aquário, algo que fazia falta em São Paulo. Mas eu continuo achando que falta aquário em São Paulo. Em primeiro lugar, o preço é salgado à beça: R$ 18. O Tomás entrou gratuitamente (menores de 3 anos não pagam), mas tem um motivo para isso. O aquário não é exatamente recomendável para menores de 3 anos. Todos os que estavam lá, pelo menos, tinham medo, inclusive o Tomás, e vários choravam. É que eles fizeram uma exposição com bonecos de dinossauros que se mexem e o ambiente é um túnel escuro e apertado com aqueles bonecos.

As crianças pequenas levam um super susto! E não aproveitam nada, porque não querem nem se mexer. Além disso, não vi muito sentido em misturar aquário com dinossauro. Nem o aquário é muito bom, nem os bonecos de dinossauro. Ficou tudo no meio termo; falta foco.

O planetário continua sendo a melhor pedida. E coitado! Ele ficou escondido. Agora toda a ênfase na entrada é para o “Aquário de dinossauros”, ops, para o Aquário. Há que se reconhecer, contudo, que eles investiram na atração.

Endereço: Rua Huet Bacelar, 407 (atenção: a numeração da rua é maluca e tem dois números 407; não desanime se encontrar uma casa primeiro), Ipiranga. Tel.: (11) 2273-5500. Ingresso: R$ 18; menores de 3 anos não pagam. Há descontos para estudantes e crianças de outras idades. Dica: tem manobrista para o carro, mas é um gasto desencessário; dá para estacionar na rua.

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